ONDE CHEGAMOS 

29/07/2010 

Uma polêmica com a matriz de Salvador divide a Assembleia de Deus. Ações judiciais, denunciam de má gestão de recursos e desligamento voluntário de pastores da Convenção Estadual das Assembleias de Deus na Bahia (Ceadeb) são ingredientes de uma disputa que aumentou de proporção no último mês.

Segundo o Censo 2000, em Salvador, estão reunidos  68.821 dos 421.049 membros da igreja na Bahia. Na capital, 12 igrejas, distribuídas por vários bairros estão vinculadas à Assembleia de Deus em Salvador ( Adesal), que funciona como matriz. A Ceadeb apura denúncias de irregularidades cometidas pela diretoria da Adesal, dentre as quais a de  não repassar a taxa referente ao fundo convencional, que é 5% do total arrecadado pela igreja.

O fundo é usado para amparar pastores que já encerram as atividades por idade, problemas de saúde ou os seus familiares em caso de morte. De acordo com dados da Ceadeb, que administra o fundo, a dívida da Adesal gira em torno de R$ 1,8 milhão.

“A base do desentendimento não é a questão financeira. Uma das nossas funções como órgão regulador é apurar denúncias sobre questões administrativas. Além disso não temos problema com a igreja de Salvador, que são os seus membros, mas estamos intervindo na direção”,  explica o pastor Arilson Pereira dos Santos, 36 anos, que ocupa o cargo de gestor na direção da Ceadeb.

Segundo Santos, a Ceadeb recebeu denúncias de má gestão de recursos da igreja de Salvador, como a existência de processos por débitos com o INSS que chegou a motivar uma ação por apropriação indébita contra o pastor Israel Ferreira, que preside a Adesal há 13 anos.

“Chegamos a propor vários acordos. Embora os responsáveis pela Adesal tenham assinado o acordo, ele acabou por não ser cumprido”, disse Santos. O acordo a que o gestor da Ceadeb se refere foi assinado em dezembro do ano passado pela Adesal e a Ceadeb  inclusive com  o compromisso de retirada das ações judiciais movidas por ambas as partes.

Uma das providências da Ceadeb para resolver o problema, segundo Santos, foi transferir Ferreira para Feira de Santana. Para o seu lugar foi nomeado o pastor Eliúde de Amaral Soares.  

Ferreira e mais 81 dos 149 pastores da Assembleia de Deus na capital baiana pediram o desligamento da convenção. A Ceadeb, por seu lado, conseguiu uma liminar da Justiça, expedida no último dia 5,  tornando nula a mudança no estatuto da Adesal e a sua vinculação à convenção de outro Estado.

A TARDE tentou durante a tarde desta quarta-feira, 28, ouvir o pastor Israel Ferreira. Por telefone, um pastor da assessoria da direção da Adesal informou que ele estava pregando e recomendou o retorno da ligação. Na terceira tentativa de contato feita pela reportagem, deu o número do celular do pastor Israel, mas o aparelho estava desligado. A polêmica virou tema em blogs como o assinado pelo pastor Raimundo Campos e o que é produzido pelo  pastor Dário Gomes.     

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